Mounjaro (Tirzepatida): A Nova Era no Tratamento do Diabetes e Controle de Peso

Mounjaro (tirzepatida) é um medicamento injetável usado principalmente para tratar diabetes tipo 2 e, em vários países, para controle de peso em pessoas com obesidade ou sobrepeso com comorbidades, sempre associado a mudanças de estilo de vida. Ele é eficaz, mas exige acompanhamento médico rigoroso, pois pode causar efeitos gastrointestinais, risco de pancreatite, alterações de vesícula e outras complicações em grupos específicos.
O que é o Mounjaro?
Mounjaro contém tirzepatida, uma molécula que age ao mesmo tempo em dois receptores hormonais intestinais: GLP‑1 e GIP, ajudando a baixar a glicose, reduzir o apetite e favorecer perda de peso. Ele é aplicado por via subcutânea, em geral 1 vez por semana, com doses que começam baixas e são aumentadas gradualmente para melhorar a tolerância.
Em diabetes tipo 2, tirzepatida melhora o controle glicêmico e promove perda de peso maior que muitos outros antidiabéticos injetáveis, inclusive alguns agonistas de GLP‑1 isolados. Em estudos com pessoas com obesidade sem diabetes, foi observada redução média de peso de cerca de 15% a quase 21% após 72 semanas, dependendo da dose.
Quando o medicamento é indicado?
Nas agências regulatórias, Mounjaro está aprovado como tratamento de diabetes tipo 2 em adultos, como complemento à dieta e ao exercício, quando só dieta, exercício ou outros medicamentos não foram suficientes para controlar a glicemia. A tirzepatida também foi aprovada em formulações semelhantes para controle crônico de peso em adultos com obesidade (IMC ≥30) ou sobrepeso (IMC ≥27) com doenças associadas, como hipertensão, dislipidemia ou apneia do sono.
Ele não é indicado para diabetes tipo 1, nem para uso em pessoas sem diabetes ou obesidade como “medicação estética” ou de uso recreativo. O uso deve ser sempre decidido por médico, após avaliação de histórico de doenças (especialmente pancreatite, doenças da vesícula, retinopatia diabética, distúrbios gastrointestinais graves, histórico de câncer medular de tireoide ou síndrome MEN2).
Como o Mounjaro funciona?
A tirzepatida estimula receptores de GLP‑1 e GIP, hormônios que aumentam a liberação de insulina quando a glicose está alta, reduzem a produção de glicose pelo fígado e retardam o esvaziamento do estômago. Isso ajuda a controlar a glicemia com baixo risco de hipoglicemia quando usada sem insulina ou sulfonilureias.
Ao mesmo tempo, ela reduz o apetite e a ingestão calórica, o que contribui para perda de peso significativa e sustentada em muitos pacientes. Esses efeitos metabólicos também se associam a melhora de alguns marcadores cardiovasculares e renais em pacientes com diabetes tipo 2.
Benefícios: prós do uso de Mounjaro
Principais pontos positivos documentados em estudos clínicos e revisões:
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Redução importante da hemoglobina glicada (HbA1c), por vezes maior que com insulina basal ou outros injetáveis em diabetes tipo 2.
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Perda de peso expressiva e mantida em longo prazo em diabéticos e não diabéticos, com reduções médias de dois dígitos percentuais de peso corporal em doses mais altas.
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Baixo risco de hipoglicemia quando usada sem insulina ou sulfonilureias, pois a ação é dependente da glicose.
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Potencial benefício adicional em desfechos cardiovasculares e renais em pessoas com diabetes tipo 2.
Riscos e limitações: contras e cuidados
Apesar dos benefícios, tirzepatida não é isenta de riscos, e alguns grupos não devem usá-la.
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Efeitos gastrointestinais são muito frequentes: náusea, vômito, diarreia, constipação, dor abdominal e perda de apetite, muitas vezes mais intensos nas doses mais altas e na fase de aumento de dose.
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Existe risco de pancreatite aguda e de problemas de vesícula (cálculos, colecistite), relatados em estudos clínicos e bancos de dados de farmacovigilância.
Outros pontos de atenção:
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Pode piorar retinopatia diabética em alguns pacientes com queda rápida da glicemia, exigindo acompanhamento oftalmológico em diabéticos com doença pré-existente.
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Há alerta de risco de tumores de células C da tireoide em estudos com animais, por isso é contraindicado em quem tem histórico pessoal/familiar de carcinoma medular de tireoide ou síndrome MEN2.
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Uso off‑label, sem indicação formal e sem acompanhamento, aumenta risco de desnutrição, perda excessiva de massa muscular e complicações gastrointestinais.
Principais reações adversas
As reações mais comuns (≥5% dos pacientes em ensaios clínicos) foram:
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Náusea, vômitos, diarreia, constipação, dor abdominal, dispepsia
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Diminuição de apetite, perda de peso rápida
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Fadiga, tontura, reação local no local da injeção
Reações menos comuns, porém mais graves, incluem pancreatite aguda, colelitíase/colecistite, hipoglicemia (sobretudo se associada a insulina ou sulfonilureias), reações alérgicas graves (anafilaxia, angioedema) e possível agravamento de retinopatia diabética. Qualquer dor abdominal intensa e persistente, vômitos contínuos, icterícia, falta de ar, inchaço em face ou língua exigem avaliação imediata.
Possíveis complicações do uso
Algumas complicações decorrem tanto do fármaco quanto da forma como o tratamento é conduzido:
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Desidratação e distúrbios eletrolíticos em quadros intensos de náusea, vômito e diarreia, especialmente em idosos ou pessoas com doença renal.
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Perda de massa magra (músculos) junto com a perda de gordura, principalmente quando a dieta é pobre em proteína e não há prática de exercícios resistidos.
Em análises de farmacovigilância, também foram descritos casos de problemas psiquiátricos (como alterações de humor) e eventos cardiovasculares isolados, embora a maioria dos dados aponte para benefício metabólico global em diabéticos. Por isso, monitorização clínica individual é fundamental.
Hábitos para associar ao tratamento
O tratamento com Mounjaro deve ser sempre combinado com mudanças de estilo de vida para potencializar benefícios e reduzir riscos. Alguns pilares importantes:
Exercícios físicos
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Exercícios aeróbicos (caminhada rápida, bicicleta, natação) pelo menos 150 minutos por semana em intensidade moderada, divididos em vários dias.
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Exercícios de força (musculação, elásticos, exercícios com peso corporal) 2 a 3 vezes por semana, focando grandes grupos musculares, são fundamentais para preservar e até ganhar massa muscular durante a perda de peso.
Atividade física deve ser ajustada à condição clínica da pessoa; em diabéticos, é importante avaliar risco cardiovascular antes de exercícios intensos.
Alimentação para proteger a massa muscular
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Garantir ingestão adequada de proteínas: em muitos pacientes em perda de peso, recomenda-se em torno de 1,0–1,5 g de proteína por kg de peso ao dia, ajustado por nutricionista ou médico, para preservar massa magra.
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Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados: legumes, verduras, frutas em porções adequadas, grãos integrais, fontes magras de proteína (peixe, frango sem pele, ovos, laticínios com menor teor de gordura, leguminosas).
Outras estratégias úteis:
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Fracionar as refeições em porções pequenas, principalmente no início do tratamento, para reduzir náusea e desconforto gástrico.
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Evitar grandes volumes de comida, refeições muito gordurosas, álcool em excesso e bebidas açucaradas, que podem piorar sintomas gastrointestinais e atrapalhar o controle glicêmico.
Acompanhamento multiprofissional
O uso seguro de Mounjaro passa por acompanhamento com médico (endocrinologista, clínico ou outro responsável), farmacêutico e, idealmente, nutricionista e educador físico.
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Exames laboratoriais periódicos (função renal, hepática, perfil lipídico, HbA1c, entre outros) ajudam a monitorar eficácia e segurança.
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O farmacêutico pode orientar quanto à técnica de aplicação, conservação, manejo de efeitos adversos leves e interação com outros medicamentos, reforçando quando procurar ajuda médica.
Mounjaro é uma ferramenta poderosa para diabetes tipo 2 e obesidade, mas não substitui uma rotina saudável, nem deve ser utilizado sem prescrição e acompanhamento individualizado. A medicação facilita o processo, mas a preservação da saúde muscular e a qualidade da alimentação são responsabilidade do paciente para garantir resultados sustentáveis e saudáveis a longo prazo.
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